Saudade.

Já sem coragem nos olhos, sem vida em sua alma, ele indaga:

-Por que tinha que acontecer comigo ? Não basta os dias que o sol queimou meu rosto? Não adiantou de nada as rosas secas dentro do meu velho livro? Muito eu queria ter tido as velhas musicas na cabeça, mas por que roubou meus pensamentos ?

Ao se ajoelhar, gritando, exclamou:

-Eu tenho fome de vida, de cor, fome da verdade, fome da doçura!
Tenho fome do negro dos teus olhos, do banco de teus dentes no vermelho do meu sangue! Desejo não um dia, não uma semana, não um mês, mas sim uma vida!

Levantou-se e sem pausas repetiu até ficar sem voz:

– Eu te desejo, eu tenho fome de você.

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