Chuva.

Ouço o barulho de chuva na janela.

Sinto teus pés macios deslizando em minhas pernas, descendo para os meus pés e retornando suavemente. Sua cabeça em meu peito repousando tranqüilamente como se ali fosse o lugar dela, fosse feito para o seu repouso.

Ouço o barulho de chuva na janela.

Meus dedos subindo e descendo do teu ombro até o final do seu braço.

O que era uma cama fria e simples torna-se quente, agradável, sublime.
já nem sinto o frio, já nem sinto que um dia fui só.

Ouço o barulho de chuva na janela.

Minhas besteiras saindo junto com o hálito de hortelã de minha boca se cessam com o toque de teus lábios nos meus.

Meu corpo que por muito tempo havia se sentido sem cor, voltou a ser corado, colorido e brilhante.

Ouço o barulho de chuva na janela.

Pouco a pouco seu corpo desloca-se para cima do meu, pouco a pouco perdemos as roupas, perdemos a cabeça, a moral. Perdemos a individualidade, nos tornando um só corpo.

Já não escuto mais barulho algum, é indiferente se chove, faz sol. Indiferente se é manhã, tarde ou noite. O mundo não nos atinge.

Ouço apenas sua respiração ofegante.

Leave a Reply

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s